quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Deixa a vida me levar????


Conversando com um amiga, ouvi uma colocação que ficou martelando minha cabeça. Ela se referia a alguém que, apesar de ter vivido a incrível experiência de conhecer o mundo inteiro, não tinha aprendido nada com isso. Nossa conversa levou-me a refletir em como podemos viver toda uma existência e, mesmo assim, não crescer, não amadurecer, não aprender a compreender e aceitar aqueles que estão ao nosso redor (que dirá os que estão mais longe!!!).

Viajar proporciona ao viajante a oportunidade de conhecer outros povos, outra cultura, outro modo de vida. A gente percebe quão ímpares somos! Mas nem por isso podemos exigir que os outros sejam como nós. Imagine um mundo onde todos tivessem o mesmo temperamento, pensassem exatamente a mesma coisa, tivessem todos a mesma reação? Seria cinza! Sem cores.... Não haveria a riqueza das diferenças, dos pontos de vista contrários que, quantas e quantas vezes, levam-nos a refletir se o nosso (ponto de vista) é o mais acertado. Não vou nem falar em certo e errado. Não que eu ache que sejam conceitos relativos; muito pelo contrário. Estou me referindo àquela ideia que temos de que o meu modo de pensar (e viver) é melhor do que o do outro. Refiro-me a sentir a vida de forma diferente, ao modo como cada um de nós age e reage diante das multifacetadas situações que vivemos.

Os conflitos, as diferenças não deviam nos afastar e, sim, nos aproximar. São exatamente eles os catalisadores do nosso crescimento (emocional) e amadurecimento. Mas já repararam como temos a tendência de afastá-los? Em vez que "administrar" a situação, queremos é fugir dela. Seria essa a razão de tantos divórcios? De tantos filhos rompidos com seus pais? De tantos pais intolerantes? De tantos irmãos desunidos?

Talvez por isso me sinto incomodada quando ouço uma música cujo refrão diz assim: "Deixa a vida me levar". Quando a vida me leva, não traço alvos, metas, objetivos. Quando a vida me leva, não sou eu quem escreve a minha história (com minhas escolhas e decisões). Fico apenas a ermo, navegando sem destino, embalada pelas ondas... o tempo passa e nada é construído. Não construo relações verdadeiras nem vínculos duradouros. Vou passando pela vida sem deixar marcas. E quando chegar a hora da minha partida, ninguém sequer sentirá minha falta! Afinal, deixei a vida me levar, em vez de viver a vida.

2 comentários:

  1. "Nenhum vento sopra a favor, de quem não sabe para onde ir." (Sêneca)

    Adoro blogs e sempre admirei muitas coisas no teu jeito de pensar, então serei frequentadora assídua!

    Beijos,

    Fabíola

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